2 de março de 2012
Quaresma, tempo de conversão.
Antes de mais nada, minhas desculpas pela inatividade. 6 meses sem escrever são mesmo um excesso, até mesmo para os meus padrões de desleixo blogístico.
Isso posto, vamos ao assunto do post de hoje. A Quaresma.
A Quaresma é o período de 40 dias que vai da Quarta Feira de Cinzas à Quinta Feira Santa - a quinta da Semana Santa, em que celebramos a instituição da Eucaristia (Comunhão) por Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse período é um tempo de Conversão, Arrependimento e Penitência, em que devemos meditar e praticar atos sacrificiais: preces, jejum/abstinência e esmolas.
A fundamentação teórica é extensa, para quem quiser estudar a respeito, mas o principal está nos parágrafos 540, 1095 e 1438 do Catecismo da Igreja Católica: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/p/r.html#QUARESMA
Resumindo, recordamos os 40 dias e 40 noites em que Jesus jejuou no deserto, antes de ser tentado por Satanás com os pecados da vaidade, do orgulho e da cobiça e resistir de forma perfeita e inigualável, ganhando para nós a graça de sermos capazes nós também de resistir às tentações do inimigo.
A obrigação mínima de quem deseja ao menos tentar ser um bom católico, nesse período, em adição à Missa dominical, é fazer jejum (hoje denominado abstinência, mas isso é um assunto que precisaria de outra postagem para ser tratado em profundidade) de carne vermelha (gado: bovino, ovino, caprino, suíno, eqüino, etc.) e de álcool. E isso em adição ao mesmo jejum (abstinência) para a Sexta Feira Santa, em honra à Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz.
Essas práticas sacrificiais são tanto ofertas a Deus, em reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de nossos irmãos e irmãs, quanto exercícios de auto-disciplina, uma qualidade raríssima nesses tempos de culto à auto-gratificação instantânea e irrestrita que vivemos hoje. A prece nos lembra de que somos criatura, e não Criador, e a Ele devemos toda honra, todo louvor e toda glória. A esmola nos lembra de que temos a obrigação de amar nosso próximo, criatura de Deus assim como nós. E o jejum nos faz mortificar a carne: disciplinamos nosso corpo a aceitar que ele é apenas uma roupa que veste nossa alma, e não o ator principal que está no comando.
Um histórico do desenvolvimento da tradição da Quaresma e dos jejuns/abstinências correspondentes (em inglês) se encontra em http://www.newadvent.org/cathen/09152a.htm. Aliás, o site newadvent é um excelente recurso de consulta sobre questões de Catolicismo em geral.
A propósito, pesquisando agora para escrever esse post descobri que a obrigação real é pouquinha coisa mais rigorosa: o chamado "jejum da igreja", que consiste em café da manhã frugal (chá/café/suco + torradas/biscoitos - esses últimos em pequena quantidade), uma refeição completa na hora do almoço e uma "meia refeição" (a chamada "colação": chá/café/suco + uma quantidade pequena de comida leve) na hora da janta, sempre sem carne vermelha nem álcool. Francamente? Coisa fácil, se a gente tiver um módico de vergonha na cara.
Agora para a parte de protesto do post (não seria um post do Águas se não tivesse isso...): Quaresma de verdade ignora solenemente a "Campanha da Fraternidade" (CF), essa invenção horrorosa da banda podre da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A CF é pura Teologia da Libertação (TL, um assunto que renderia outra postagem polpuda), sempre falando de algum tema absolutamente alheio à trinca Conversão, Arrependimento e Penitência que deve caracterizar nossas ações, práticas piedosas e meditações durante o período quaresmal.
Ano passado a CNBB já tinha tomado uma reprimenda direta de Sua Santidade Bento XVI, falando a esse respeito, por conta do tema da CF 2011. Primeiro que o tema foi de ecologia, tirando o foco dos fiéis do Criador e direcionando para a criação: teologicamente um erro crasso, fruto de uma atitude totalmente anti católica. Segundo que a exegese que fizeram do versículo que diz "A criação geme, como que com dores de parto", foi desonesta ao extremo. O trecho em questão (Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 8, versículo 12) fala não do que fazemos com a criação, mas da ansiedade nossa e de todas as criaturas no aguardo da Parúsia, a Segunda Vinda do Cristo no Fim dos Tempos.
E agora, para a CF 2012, desandaram a maionese de vez. COMO ASSIM, "conscientização sobre saúde pública"?!? Agora, em cima de desrespeitarem a obrigação de meditar sobre CONVERSÃO, ARREPENDIMENTO E PENITÊNCIA, ainda tratam de um assunto deste mundo sem sequer tentar disfarçar?!!!? Miserere nobis, Domine Deus, miserere nobis! Dessa vez passaram de todas as medidas! Senhores, já de há muito que eu não contribuía para as coletas da CF. Ultimamente tenho feito ouvidos moucos, em silêncio, aos trechos de sermões que eu percebo como infectados por TL. Agora convoco os leitores: cada vez que o padre começar a falar da CF, paremos de ouvir e rezemos mentalmente um Credo, que ganharemos muito mais.
Agora retornando a uma nota mais amena: outro recurso internético de informações sobre a Fé é o blog do Padre Paulo Ricardo, no endereço http://padrepauloricardo.org/.
Além de uma extensa série de materiais gratuitos, uma contribuição mensal de 30 reais dá direito a acessar alguns cursos de formação teológica mais específica e/ou mais substanciosa. Eu particularmente acho que vale muito a pena.
De resto, nesse meio tempo arranjei um emprego como tradutor/revisor técnico-científico de inglês-português-inglês na Solução Supernova Consultoria Farmacêutica e estou um pouco menos longe de obter meu título de Doutor (eu acho que o meu orientador acadêmico é um caso de polícia, mas já ouvi dizer que todos são...). Vamos ver se tomo vergonha na cara e não demoro tanto a escrever o próximo post.
In corde Jesu semper, pax et bonum.
7 de agosto de 2011
Trabalho em equipe não é tudo isso.
Antes de mais nada, não custa recordar que eu tenho o meu tanto de sociopatia, então não espere um módico que seja de condescendência para com quem sobrevaloriza a capacidade de ser um bom subordinado.
Isto posto, já deixo à guisa de abstract o mote deste post: atualmente, no mais das vezes quem sabe obedecer não merece mandar.
Hoje em dia todo empregador ou recrutador quer por que quer ouvir de qualquer candidato a qualquer posto que fulano "sabe trabalhar em equipe". Como toda modinha corporativa e/ou de RH, isso quer dizer algo completamente distinto do que se poderia esperar a partir da linguagem do dia a dia.
Saber trabalhar em equipe deveria ser apenas uma expressão pomposa para designar o mínimo de empatia e de capacidade de comunicação necessários para se funcionar em sociedade. Em um mundo perfeito, perguntar se alguém possui este conjunto mínimo de habilidades sociais deveria ser tão anódino quanto aplicar um teste psicotécnico. Então, por que cargas d'água valorizam tanto essa "qualidade"? E o mais importante: por que isso me causa tão profundo asco a ponto de me motivar a escrever aqui no Águas?
Por que o que as pessoas esperam de alguém que "sabe trabalhar em equipe" é algo completamente distinto. Resumindo, é falta de espinha. Resumindo e falando chique, é subserviência burra.
Se você tem um mínimo de força de vontade, se recusa a bater palminha para maluco dançar, não sorri abjetamente ao ouvir uma ideia idiota, tem colhões para bater de chapa com o senso comum quando a razão te indica que ele está errado, não tem tempo para afagar o ego de quem está emperrando o caminho ou de qualquer outro modo dá preferência à tarefa bem cumprida e ao objetivo atingido quando isso precisa ser feito em detrimento do ego alheio, você "não sabe trabalhar em equipe".
Conquanto um empreendimento dificilmente funcione se todos forem líderes, é impossível levar algo adiante com uma equipe composta por 100% de subordinados. Por que hoje é isso que um "team-player" é: um SU-BOR-DI-NA-DO. Alguém que só obedece e nunca manda, alguém que sempre espera as determinações alheias e jamais toma a peito o determinar o rumo das próprias ações. E o pior de tudo, alguém que nunca, jamais, sob hipótese alguma, em momento algum, não importam as circunstâncias, faz algo por iniciativa própria por saber individualmente que esse algo deve ser feito.
Por que? Por quê isso é "individualismo", "ego inflado", "imaturidade", "irresponsabilidade" e o que mais os COVARDES, INCOMPETENTES e CALHORDAS dessa mil vezes maldita geração do politicamente correto puderem assacar contra quem ainda tem iniciativa individual (que eles aparentemente valorizam sob o rótulo de "proatividade") e amor ao bom senso e a um trabalho bem feito, inclusive em detrimento do ego alheio sempre que este se interpõe entre quem trabalha e a boa execução do trabalho.
Enfim, para merecer o nada honroso epíteto de bom team-player, o indivíduo deve ser uma ovelha lobotomizada. Muito embora esse tipo de pessoa até tenha sua função em alguns lugares e situações, isso não deveria ser uma qualidade, muito antes pelo contrário. Mesmo por que, entre outras coisas, isso é o oposto diametral do que se precisa ter para ser um líder, ou mesmo para desempenhar minimamente bem qualquer função que envolva tomada de decisões e ou comando.
Agora vamos para a cereja do sunday: se uma companhia ou departamento só tem bons team-players, ele(a) está desfalcado(a) de pessoas capazes de assumir postos de chefia e/ou se tornarem responsáveis diretas pela tomada de decisões. Oras, se você está sempre habituado a receber suas determinações de fora, como alguém pode esperar que você tome uma decisão qualquer de moto próprio?
Finalmente: não venham me dizer que eu estou errado por que o bom é tomar decisões por consenso. Toda decisão tomada por consenso recai no mínimo denominador comum.
Os antigos já diziam: "A força de uma corrente é a força de seu elo mais fraco". Por conseguinte, a qualidade de uma decisão tomada por consenso é a qualidade da capacidade decisória do indivíduo menos capacitado envolvido no processo. O que vale dizer que um único indivíduo um pouco menos competente que possa triscar uma unha em uma tomada de decisão já compromete o processo todo.
Boas decisões são aquelas tomadas individualmente, após consulta às fontes relevantes de informações e conhecimento. Saber ouvir é importante e consultar corretamente os envolvidos em um processo é essencial, mas a boa tomada de decisão, além de bem informada, é um evento/processo de caráter IN-DI-VI-DU-AL. Sem compromissos, sem hesitações, sem política. O tomador daquela decisão deve ser o único responsável por ela, que deve ser aquilo que a seu ver seja o melhor caminho para se obter o resultado desejado/necessário.
Soluções de consenso não são o melhor, elas são o que dá para acomodar junto a todo mundo. Dificilmente essas duas coisas coexistem.
Então, vamos embora parar de exigir que seja todo mundo bom team-player e começar a pelo menos respeitar quem ainda consegue honrar as calças que veste nesse mundinho politicamente correto e sem espinha de hoje, faz favor, obrigado?!?
22 de abril de 2011
Gulodice, esganação e falta de noção.
Olá, amiguinhos! Mais um post em 2011, quem sabe se eu não emplaco um a cada 3 mêses?
Pois bom, hoje quero comentar sobre alguns ramos do comércio que simplesmente não têm o mais mínimo limite em termos de avidez por lucros. Casos tão patológicos que chegam a ter o potencial de prejudicar seus praticantes por efeito rebote, caso a proporção de consumidores conscientes do fato atinja massa crítica.
Na verdade, trata-se de um único ramo geral de comércio, o dos produtos sazonais. Bacalhau em feriados católicos com abstinência de carne (como Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira da Paixão), Colomba Pascal e ovos de Páscoa à partir de um mês antes do Domingo de Páscoa, panetone/frutas cristalizadas/peru/etc em dezembro e champagnes/espumantes em dezembro são os casos que me vêm à mente agora.
Imagino que muitos de vocês leitores já devam ter reparado como esses produtos têm uma súbita alta de preço nas imediações de suas respectivas "temporadas". Se não, fica o convite a que vocês observem. Passem numa Cacau Show ou Kopenhagen da vida por essa semana agora, anotem o preço de um ou dois tipos de ovo em cada e confiram o preço dos mesmo produtos daqui a duas semanas. Ou, se vocês só estiverem lendo essa postagem depois da Semana Santa, que é o mais provável, façam esse experimento ano que vêm ou seu equivalente com panetones.
Aliás, fica a dica de experimento econômico para confirmar as dimensões da falta de noção do que estou comentando agora. Aproveitem que a Bauducco tem aqueles pontos de venda em estações de metrô e acompanhem a evolução do preço do panetone ao longo do ano ou, pelo menos, de outubro/novembro a fevereiro/março. A coisa é brutal: conforme a temporada da virada de ano se aproxima, a curva de preços dá uma guinada para cima de tirar o fôlego, se sustenta em um patamar estuporante ao longo das duas últimas semanas de dezembro e, em seguida, começa a descer, mais das vezes com direito a queimas de estoque de proporções dantescas.
Esta última parte é que aponta para a selvageria da coisa. Que um produtor aumente a oferta e os preços para lucrar durante uma temporada de vendas naturalmente mais altas, ok, faz parte de uma economia saudável que se aproveitem as oportunidades de lucro. Que os preços se normalizem ou até mesmo se façam pequenas promoções para desencalhar pequenos excedentes de estoque, idem. Mas tenho percebido que há algo de muito errado na escala em que esses fenômenos têm ocorrido por aqui, ao pensar à respeito do tamanho desses excedentes e do tanto que os preços DESPENCAM VERTIGINOSAMENTE durante os incêndios florestais de estoque logo após cada respectiva data-chave.
Aliás, entra ano e sai ano e estes produtores e comerciantes parecem não só não aprender a lição do ano anterior mas ainda ter entendido errado o que aconteceu, por que os excedentes só fazem crescer e as quedas de preço para desencalhe de sobra de estoque são cada vez mais assombrosas.
À princípio, algum leitor poderá dizer que o volume de vendas da temporada multiplicado pelo sobrepreço gera um lucro tal que compensa sobejamente os excedentes de estoque incinerados a cada ano. Mas aí é que entra o que escrevi no primeiro parágrafo de texto deste post: se a parcela de consumidores consciente dessa prática atingir massa crítica, o efeito rebote que se abaterá sobre as cabeças desprevenidas de quem vende cada um destes produtos será épico.
Qual de vocês leitores nunca ao menos ouviu falar de gente que "prefere deixar para comer/beber/comprar o produto X ou Y depois da data Z, por que sai bem mais em conta e dá para consumir bem mais daquilo por muito menos"? Deixar para comprar os presentes da família em janeiro (dica do tio Seu Zé Nando: dá até para retomar uma tradição mais católica e presentear as crianças no Dia de Reis), estocar o bacalhau salgado (100% desidratado e impregnado de sal, dura uma eternidade) em janeiro para poder comê-lo na Semana Santa, deixar para comer ovo de páscoa em maio (curiosamente, o preço do chocolate em barra e dos bombons quase não varia: comprem o chocolate das crianças nessas apresentações e deixem os ovos para maio) e panetone em fevereiro/março/abril, vocês já entenderam a ideia.
Quando a parcela de consumidores que adota esse comportamento ultrapassar um certo limiar, o somatório de vendas perdidas na temporada mais o de excedentes desovados resultará em prejuízo líquido, o qual certamente não será pouco.
Leitores, mãos e carteiras à obra! Chega dessa esganação, gente gulosa e sem noção tem mais é que ficar no prejuízo, mesmo, é o que eu sempre disse! Esse ano comprei chocolate em barras para o Webister e já deixei bem claro para ele que os ovos chegarão pelo menos uma semana depois do Domingo de Páscoa. Sigam o exemplo, sigam as dicas e vamos lá virar essa esganação do avesso contra esse bando de "joselitos": todo mundo aí deixando para adquirir/consumir produtos de estação nas épocas de suas respectivas queimas de estoque!
Só temos a ganhar. Enquanto não atingirmos massa crítica, continuaremos a consumir (muito) mais por (muito) menos. Quando atingirmos, os produtores e comerciantes ver-se-ão obrigados a parar de gulodice e manter seus preços dentro de patamares minimamente decentes mesmo nas próprias datas-chave. As possibilidades de que resolvam baixar a produção para forçar a alta de preços, contando com o fato de que cedo ou tarde VAMOS consumir, são muito baixas (eu diria quase nulas). Baixar produção representa prejuízos em qualquer cenário, ninguém gosta de reduzir ritmo de produção.
Resuminho da ópera: vamos deslocar o consumo dos produtos sazonais para depois do pico da temporada. Enquanto as coisas continuarem na mesma, lucramos com as promoções. Quando mudarem, os preços param de entrar no cio todo santo ano.
Agora que postei, volto ao trabalho: pesquisinha básica para meu departamento na POLI-USP, traduções, o de sempre. Até a próxima!
19 de outubro de 2009
Paternidade
O tema de hoje é um arroto medieval deste que vos digita, um relato de como se pensava em priscas eras e de como se educava uma criança nos tempos d'antanho. Por que analisar minhas filosofias de vida é um verdadeiro estudo de arqueologia mental e moral. Portanto, se você leitor fizer parte do time do politicamente correto, acreditar que em criança não se bate nem quando ela chuta o andador do vovô na hora de atravessar a Av. Paulista ou achar que não existe problema de natureza alguma em permitir que um casal homossexual adote uma ou mais crianças, vá para o blog da Carolina Dieckmann que você ganha mais.
Pois muito bom, você leu a advertência acima e ainda está aqui? Então não diga que eu não te avisei. Vamos lá, que hoje eu estou inspirado!
Antes de mais nada, uma questão crucial na educação de um filho é a obrigatoriedade, desde a mais tenra idade, do ingrediente DIS-CI-PLI-NA. Por que se você passa a mão na cabecinha de uma criança recalcitrante por que ela tem o direito de ser criança, achando que é melhor deixar para ensinar educação, bons modos e disciplina só depois, na hora que ela estiver crescidinha o suficiente para que se lhe possa cobrar responsabilidades, é receita certa para o desastre.
Faz parte da natureza humana destreinada não aceitar de bom grado a imposição de limites. Mas a não imposição de limites presenteia logo de saída todo e qualquer pimpolho com ela agraciado com o pior problema-raiz de uma personalidade mal formada, seja ela simplesmente chatinha ou até efetivamente repulsiva: o baixo limiar de frustração, ou seja, a incapacidade de aceitar quando a vida olhar na cara do distinto e disser não.
A criança que passa a infância sem uma imposição suficiente de limites se transforma em um adolescente que acha que o mundo tem a obrigação de lhe dar tudo o que ele deseja no exato instante em que ele quer e se torna posteriormente um adulto frágil e inseguro. Seja um frouxo patético desse que mora com os pais aos 40 anos, seja um monstro que disfarça sua fragilidade sob camadas e mais camadas de violência e arbitrariedade ("vou bater no mundo primeiro antes que ele me bata, e vou bater com gosto pra todo mundo achar que eu sou o bom"). Ou como diz Içami Tiba: toda crioncinha evolui para aborrescente, que por sua vez se torna um adultescente.
Crianças são seres humanos com pouquíssima bagagem mental de suporte para seus processos decisórios, logo, nada mais natural que o resultado da esmagadora maioria destes deva ser solenemente desconsiderado por quem quer ser um bom pai ou uma boa mãe. Daí diziam os antigos que criança não tem querer. Não tem e não deve ter, até que tenha vivido o suficiente para acumular um repertório de experiências e informações que lhe permita tomar decisões minimamente não-desastrosas.
Criança não escolhe o que vai comer, não escolhe o que vai vestir e não escolhe a hora de dormir. Simplesmente por que comida gostosa a mais das vezes não é nutritiva e criança não entende patavina de nutrição e medicina; roupa bonita mais das vezes é obscenamente cara, emburrecedora/padronizadora (não permita que seu rebento se torne escravinho da moda logo de saída) ou simplesmente inadequada para o tempo que está fazendo na hora ou para as atividades programadas para aquele determinado momento e pivete não tem noção de chongas disso tudo; e por que quem tem escola está pouco se importando com o relógio biológico dos alunos, que tem mais é que acordar cedo em uma fase da vida na qual o cérebro estaria originalmente programado para um outro ciclo de sono, então você pai e você mãe tem que ajudar seu pequenino desde o início a empurrar o relógio biológico no sentido de não dormir a aula toda quando chegar a idade de ir pra escola.
E tantas e tantas outras coisas comuns a quem tem em casa uma maquininha burra de chorar e dizer não-quero, que se explicam por que o ser humano é burrinho e crianças são, por definição matemática, ignorantes. Atentem para a diferença entre ignorância e burrice. Burro é quem não sabe pensar, ignorante é quem ignora alguma coisa.
Crianças são inteligentíssimas, toda criança nasce genial e nós adultos é que a estragamos com uma educação inadequada. Mas toda criança vem ao mundo 100% ignorante, o que significa que seus processos decisórios terão más escolhas por conclusão em 99,9...% dos casos. É obrigação do pai e da mãe desconsiderar essas más escolhas e fazer o que é melhor pelo pequenino. E é obrigação de ambos ensinar a criança a se conformar com isso, por que é inerente ao ser humano estar mal informado e decidir mal em muitos e muitos pontos de sua vida, devendo ele saber quando a vida está tomando uma decisão melhor no lugar dele ou quando uma determinada pessoa em posto de comando por merecimento tenha as informações necessárias para decidir melhor em seu lugar ou ainda quando a natureza humana tem que calar sua boca e curvar-se ante a Sabedoria do Altíssimo.
Aqui vem outro ponto inegociável para pais que foram abençoados, neste mundo perdido de hoje, com a Graça de se manterem firmes dentro da verdadeira Igreja. Essa história de que toda religião tem seu ponto positivo e que a pessoa escolhe sua fé quando tiver idade suficiente para fazer sua própria escolha é balela (peguei leve para não lançar mão de um palavrão de 59 sílabas). Mentira deslavada, uma das mais perniciosas já inventadas pelo pai da mentira.
Se você foi abençoado com a Graça de ser católico, que teus filhos também o sejam. Isso é 1000% I-NE-GO-CI-Á-VEL! Se você não instila em sua cria o temor do Senhor desde o berço, as chances de que esta alminha se perca para algum outro sistema de crença ou até mesmo para a descrença sistemática é imensa. Não que "religião seja um condicionamento que só pega por que é feito à guisa de lavagem cerebral sobre criancinhas que não têm condição de argumentar", mas por que a carne se rebela contra a Lei.
Chocolate é uma delícia, mas não é por isso que uma pessoa vai se empanturrar sem consequências. Tem muito legume que é realmente chatinho de comer e a gente só manda pra dentro para cuidar da própria saúde. E por aí vai. Agora, ninguém em sã consciência vai abrir a boca para me dizer que é lavagem cerebral convencer uma criança desde pequenininha que ela deve comer aquilo que seus pais mandarem por que é melhor para sua saúde corporal.
Então por que cargas d'água tanta gente abre a boca para dizer que é lavagem cerebral ensinar alguém desde a mais tenra idade a obedecer a Deus por que isso é melhor para a sua saúde espiritual? Por que sexo é uma delícia, mas não é por isso que nós vamos sair por aí brincando de chimpanzé bonobo. A sensação física de se tomar um porre é para muitos realmente agradável, e nem por isso vamos sair por aí chapando o coco por diversão. E por aí vai!
Fora que quanto mais tempo alguém fica fora da barca de Pedro e exposto aos diversos cantos de sereia criados por aquele que é homicida desde o início dos tempos, mais seus ouvidos endurecem contra a são doutrina da Fé e mais difícil é a cura de tal alma. Portanto, não permita que seu filho ou filha "escolha a religião depois". Faça o que é melhor para ele/ela, que te agradecerá imensamente no futuro, como agradeço a meu pai.
Por que hoje eu leio a Summa Theologica e o Catecismo da Igreja Católica de moto-próprio, e leio a Bíblia desde os 15 anos por gosto meu, mesmo, mas devo isso a meu pai ter me levado para a Missa todo bendito domingo desde que eu me entendo por gente e provavelmente ainda antes. E estudo a fé e a sustento hoje com argumentos racionais e o amparo das Escrituras, da Tradição Apostólica e do Magistério da Igreja, dentro das minhas forças, mas foi papai quem me ensinou a rezar. Pois vos digo e repito: façam o mesmo por suas crianças, que vos agradecerão imenso!
Uma vez que se dê a uma criança disciplina e temor de Deus, o resto vem por consequência. Sabendo que o corpo é templo do Espírito Santo e tendo limiar de frustração elevado pelo treino da disciplina, a pessoa não erra contra a temperança e sabe manter-se casta. Mantendo a temperança a pessoa não se prejudica por glutonaria, bebedeiras ou uso de estimulantes e entorpecentes. Sendo casta, não faz filhos antes do tempo, não padece com DSTs e não passa por todas as agruras da vida de alguém afligido por atração pelo mesmo sexo.
Assim, fica a receita para educar um futuro adulto feliz (e para ler comentários raivosos de relativistas e analfabetos funcionais): um chinelo na mão esquerda e a Bíblia na mão direita!
16 de outubro de 2009
Respondendo a um amigo
Autor do blog http://cantandodegallo.blogspot.com/, Pedro Gallo escreveu:
"Fala Nando!Algumas considerações sobre o que você disse:Heineken é uma boa cerveja sim! Só a da Holanda, não a do interior de São Paulo, que realmente é uma droga. É só você tomar a de barril que você vai ver a diferença.
Ninguém consegue ser só intelecto o tempo todo! Não dá pra você exigir que as pessoas cheguem de casa e assistam a algo educativo ou minimamente intelectualizado! às vezes queremos só não ter que pensar, e novalas são ótimas nesse quesito. Eu não gosto delas, mas assisto a outros programas, como "Scrubs" na Sony. E realmente ler é uma boa alternativa, mas também pode ser cansativo e o hábito de leitura é bem escasso em nosso país.
Outra coisa da qual eu discordo é você dizer que a novela é culpada pela população não pensar, nem ter competência para trabalhar. Esse tipo de coisa se aprende com os pais e na escola, e se esses não estão preparados para educar os jovens de nosso país, já é outra coisa. Eu por exemplo assisti a novelas durante toda minha infância(meu passado me condena) e isso não teve nenhum impacto na minha capacidade intelectual, acredito eu.
Faço um apelo pra que você perceba que as pessoas precisam de uma válvula de escape, de um momento sem pensar, pra poderem se sentir bem e calmas. E também para que você seja mais sucinto, porque o comprimento de seus textos é realmente desencorajado(ou talvez seja frescura minha).
Ah, esqueci de dizer que embora você diga que as novelas incitam a natalidade, nossas taxas só vêm caindo nos últimos anos. Não é só a TV que educa, e a população tem sim ideia do drama e do custo que é ter um filho, não subestime tanto o "povão"."
Bem, Galeto, meu velho, em primeiro lugar em relação à Heineken, é bom saber. Bem que eu desconfiei de que havia ingerência dos cervejeiros brazucas sobre a receita original.
Quanto a não conseguirmos ser só intelecto o tempo todo, há alternativas saudáveis à teledramaturgia, tais como os programas fofinhos do Animal Planet e similares e os seriados (cômicos ou de qualquer outro tipo) mais bem elaborados, com roteiros e personagens menos chapados.
O hábito da leitura precisa ser salvo "nestipaíz", sem dúvida.
A culpa pela imbecilização do povão não é exclusiva das telenovelas, mas estas levam uma bela fatia da mesma.
Ótimas válvulas de escape são: produções de cunho marcadamente visual, como documentários sobre vida natural com montes de imagens a la National Geographic e pouco áudio; música; brincar com animais de estimação; etc. Novelas são dispensáveis, para dizer o mínimo. Não quer pensar? Assista seu peixinho dourado ou seu canarinho de estimação!
Textos longos? Talvez. Mas quanto dá para enxugar sem sacrificar conteúdo?
E ainda bem que o povão consegue escapar um pouco do estrago das novelas, por que a média da fertilidade pode até estar caindo, mas as taxas entre os extratos mais humildes caíram muito mais lentamente que entre a população mais rica/esclarecida (no Brasil a instrução é quase diretamente proporcional ao poder aquisitivo, logo...).
Por que eu vou te contar. O tanto que a TV deseduca não é fácil!
Enfins, sempre é bom ter com quem trocar algumas idéias aqui na rede, mesmo que seja apenas para concordar em discordar.
Forte abraço, e volte sempre!
Ah, e boa sorte com o vestiba para jornalismo, afinal, como dizia vovó: O que é de gosto, regalo da vida!
13 de outubro de 2009
Depois de um longo e tenebroso feriado...
São 3:12h da madruga e estou passando por uma noite de rei, graças à ressaca do churrasco de sábado: passei o domingo visitando o trono regularmente e agora nessa madrugada a coisa se acentuou. Espero que esse surto final limpe meu tubo digestivo do resto do meu envenenamento por Heineken (cervejinha de %erda...).
De qualquer modo, hoje vou escrever sobre uma coisa que eu odeio com todas as fibras d'alma: novela. Aqueles enredos manjados recheados de interpretações histriônicas e ataques sistemáticos à moral e aos bons costumes.
Sim, ataques sistemáticos à moral e aos bons costumes. Toda novela, não importa qual seja a emissora ou até mesmo o país de origem, tem sempre pelo menos um matrimônio dito "disfuncional" para o qual a "solução" apresentada é um adultério ou dois, seguido ou não de divórcio. Detalhe: todos os casos em que ocorre apenas um adultério demonizam o cônjuge traído e apresentam-no como "culpado" e "merecedor da galha", enquanto apresentam o cônjuge traíra como "vítima", "herói/heroína" e "muito digno por buscar sua felicidade".
Fora isso, amor=sexo é uma equação totalmente em alta no meio novelístico. Essa história de se preservar/guardar para o casamento sequer é cogitado. Todos os namoros novelísticos são fartamente regados a sexo, para personagens a partir dos 18 (e sabe Deus até quando vai essa restrição de idade, vai que Polansky finalmente faz escola por aqui).
Aliás, religião em novela é um caso a parte. Em nome da tolerância, do multiculturalismo e da "civilidade", todos os sistemas de crenças são eventualmente retratados nos personagens da teledramaturgia, sempre com muito respeito. EXCETO OS CATÓLICOS. Todo católico é retrógrado, hipócrita, fanático, obscurantista, mentiroso, fraco ou estúpido, isso quando não é um caso de "junta" (junta tudo e joga fora). Todo padre de novela tem amante(s), larga a batina ou serve ao dinheiro ao invés de servir a Deus.
Completando o febeapa (para quem não conhece Stanislau Ponte Preta: FEstival de BEsteira que Assola o PAís) televisivo, de uns tempos para cá é difícil eu ter notícia de uma telenovela que não tenha um núcleo sodomita. Quando não é um par de pederastas é um par de sáficas, e o grande burburinho da mídia fica sobre "essa censura moralista e hipócrita que não permite beijo gay em novela". Que bom que pelo menos esse limite ainda resiste, ora pílulas!
Enfins, agora que tratei dos problemas mais graves, vamos à posta restante. Digamos que você leitor não creia, e ache que tudo o que digitei até o momento foi apenas um arroto medieval em plena era dos terabites. Pois vou mostrar que mesmo você deve largar mão de assistir novela e ler algo no lugar, nem que seja Paulo Coelho (outra droga, mas desse eu falo em outra postagem).
Começa que roteiro de novela nunca é um roteiro só. Até aí tudo bem, subtramas e tramas paralelas são um ingrediente importante em boas obras de ficção, enriquecendo o texto final e auxiliando no desenvolvimento mais rico da trama principal. Mas isso só é válido para boas tramas principais auxiliadas por tramas paralelas e subtramas de qualidade no mínimo mediana. Caso contrário, teremos apenas mais lixo pelo seu tempo investido.
O problema básico do formato telenovela é a correlação entre tempo ficcional e tempo real, que é mantida constante em "1c:1d" (um capítulo de novela retrata um dia de tempo real), à exceção dos flash-backs e flash-forwards. Uma vez que se retratam 24 horas de roteiro em um condensado de 1 hora com intervalos comerciais, não é possível apresentar tramas acima de um determinado nível de complexidade por limitação de tempo. E se você adiciona a essa limitação natural a necessidade de dividir o tempo de cada capítulo em núcleos ou tramas auxiliares, tramas paralelas e subtramas, aí é que o nível de complexidade permitido para cada trama ou subtrama individual vai para o chão de uma vez e, com isso, temos garantia de mais lixo por nosso tempo investido em assistir.
A consequência inevitável é a padronização dos roteiros, tratada magistralmente no post http://blog.desfavor.com/2009/09/desfavor-explica-novelas-da-globo.html, do blog Desfavor. Seus redatores expuseram fartamente todos os furos mais clássicos de roteiro das produções da Vênus Platinada e, se as melhores são assim, o resto então nem se fala. Mas vale a pena jogar sal em algumas das feridas apontadas, para ver os noveleiros deste meu Brasil varonil esperneando.
Começa que é mesmo inegável que novela é feita para anestesiar os socialmente desfavorecidos, para empurrar goela abaixo do povão que ser pobre é uma delícia e ser rico deve ser mesmo um calvário. Todo rico é mostrado como mau e antipático, à exceção da mocinha que é quase sempre albina, anoréxica e herdeira inocente de uma fortuna sangrenta.
Falando em mocinha, essa parte do par romântico é uma história à parte. Os desentendimentos padrão e as idas e voltas do costume antes que esse par se case, sempre no último capítulo da trama, são a parte mais bur(R)ocrática do roteiro. É sempre uma combinação linear de alguém com interesse romântico em um dos dois, intriga de falsos amigos, implicância da família e problemas com desnível social. A única novidade de que tive notícia na área foi colocarem mocinhas enfrentando doenças.
Outra coisa é que todo personagem de novela é personagem plano (protagonistas e coadjuvantes importantes) ou tipo (todo o resto). Resultado óbvio da correlação 1 para 1 apontada acima, pois se os segmentos de enredo devem ser simplificados ao máximo igualmente simplificados devem ser os personagens. Com isso, temos a inflação sistemática de vilões demoníacos, heróis a la Superman e personagens estereotipados de todos os matizes.
Evidentemente todos escolhidos a dedo para que a patuléia ensandecida continue acreditando piamente que sua vidinha medíocre é maravilhosa, não há por que querer progredir e inclusive isso de querer melhorar de vida é coisa de vilão, por que afinal de contas ambição é um defeito horroroso e uma vaidade sem tamanho: "Onde já se viu, alguém estar insatisfeito com a própria vida e querer ter e ser mais?", é o que dizem reiteradamente de forma direta todos os personagens ambiciosos de núcleos pobres de forma direta (e de modo indireto e um pouco menos ostensivo todos os demais).
Senhores, um momento de raciocínio, por favor, obrigado. Evidente que não estou aqui fazendo apologia ao pecado de Lúcifer (que caiu por orgulho), mas demonizar uma personagem automaticamente pelo simples motivo de que esta declara desejar uma vida melhor para si é de um despautério a toda prova. Existe orgulho besta, que bota as pessoas em volta do "orgulhoso" para baixo na base do pisão e da humilhação, e existe a vontade de progredir. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Vontade de progredir TODO MUNDO TEM QUE TER.
Continua que a simplificação extrema dos roteiros exigida pelo emparelhamento do tempo de novela com o tempo real obriga cada capítulo a ser um primor de tédio e chatice, pois tramas simples geram capítulos simples e repetitivos. É a famosa sensação de que, após as duas primeiras semanas decorando os nomes e funções de todo mundo no folhetim acompanhado, basta assistir a um capítulo por semana que já está de mau tamanho, por que é sempre a mesma coisa todo santo dia.
E termina que o fim de cada personagem é sempre de uma previsibilidade rançosa. Mocinhos felizes, mocinhas casadas e com filhos, vilões derrotados ao final, pobres fazendo festa, ricos se redimindo de sua riqueza, pares homossexuais "reconhecidos pela sociedade e vivendo felizes seu casamento" e assim por diante, ad infinitum et ad vomitorium. E como todos os personagens terminam sempre do mesmo modo, todos os capítulos finais são idênticos, por definição matemática. O que torna particularmente deprimente o comportamento de quem se altera em função de um último capítulo de novela que, diga-se de passagem, TEM REPRISE NO SÁBADO PARA QUEM PERDER NA SEXTA, então não é verdade sequer que último capítulo só tem uma vez, como uns e outros ainda tentam alegar.
Antes que alguém me acuse de hipocrisia, por acreditar que é preciso assistir para saber de tudo isso, digo que assisti novela até Celebridade, mas é como se eu assistisse até hoje. Os motivos são dolorosa e constrangedoramente simples:
1) Os roteiros "telegráficos" fazem com que basta você assistir à chamada da novela nos intervalos comerciais da programação normal para que você efetivamente acompanhe o desenvolvimento da trama. Se o seu QI for de 100 pontos (normal), não é preciso assistir mais que as chamadas ao longo dos intervalos comerciais.
2) Há toda uma imprensa especializada capitalizando no público fiel desse segmento da produção televisiva, e essas publicações ocupam um espaço significativo nas bancas de jornal, o que torna impossível comprar jornais e revistas de outros assuntos sem esbarrar com os olhos em manchetes que atualizam os poucos que conseguem escapar às vinhetas.
3) Quem assiste novela não consegue conversar por mais que 5 minutos sem mencionar seu vício e obrigar seu interlocutor a acompanhar suas opiniões sobre o que está acontecendo com tal e tal personagem (geralmente alguém do par romântico, um vilão ou um alívio cômico - este último um tipo ainda mais insosso e estereotipado que a média, caracterizado por um "bordão" ou cacoete que a patuléia sempre achará hilário e fará questão de reproduzir para teu desprazer estético e intelectual como se aquilo fosse o fino da bossa).
E como apontaram com precisão cirúrgica no blog que mencionei ao final da lista de deméritos morais da teledramaturgia nacional, ai de quem ousa se erguer contra esse instrumento de emburrecimento em massa, contra esse genocídio de neurônios que é a novela de televisão. Por que falar mal de novela é de um elitismo imperdoável, infinitamente mais esnobe que não ler Paulo Coelho ou não ouvir música "popular" (pagodinho de plástico - um fanho cantando e 6 epilépticos surtados fazendo dancinha tosca no fundo do palco -, axé, funk carioca, porno-forró ou sertanojo/breganejo). Fenômeno típico de republiqueta de banana movida a pão e circo (aliás a muito mais circo que pão), onde a mídia trabalha junto com os donos do dinheiro para destruir sistematicamente o discernimento dos extratos mais baixos da sociedade.
O que arrebenta com uma republiqueta de banana no longo prazo é o fato de que essa destruição da capacidade de discernimento do povo destrói a produtividade da força de trabalho nacional, inviabiliza o funcionamento das instituições e oblitera a produção cultural do país, pois um povo que não pensa não tem senso estético para produzir arte, não raciocina para manter o funcionamento das instituições (a bem da verdade sequer as compreende, quanto mais lhes compreende a necessidade e o como mantê-las) e não tem mais competência sequer para apertar botões e operar maquinário. As telenovelas ajudam sobejamente nesse processo de emburrecimento, ao atacar as fundações morais do povo e dopá-lo (Marx só disse que a religião é o ópio do povo por que não tinha telenovela na época dele...).
Uma associação óbvia é sexo&drogas (só faltou o rock&roll?): a novela anestesia o povão geral e ainda incentiva a fazer filhos! Já repararam como cada nascimento em novela é super-hiper-mega-master-blaster festejado? Como cada nova mamãe é um ser tão mais feliz e realizado que as personagens femininas que abrem mão da maternidade para ter uma carreira ou tomam qualquer outra decisão igualmente razoável que as leve a não procriarem como coelhas no cio? E ninguém fala em controle de natalidade (o método Higgins de acompanhamento do muco cervical funciona sim, confiram junto à WHO - World Health Organization ou Organização Mundial da Saúde, da ONU - ou chequem este link, mais fácil: http://vida.aaldeia.net/metodo-muco-cervical-billings/), ou em como o mundo de hoje está mau e perigoso para quem quer ter um filho e criá-lo com um mínimo que seja de correção moral.
Claro que falar mal de droga para um drogado é pedir para apanhar, daí a reação explosiva e apaixonada de todo noveleiro quando lhe apontamos o ridículo daquilo que assiste. O que é garantia de "silêncio olímpico" da maioria dos meus eventuais leitores (os poucos tarados que superarem as barreiras psicológicas impostas pela extensão textual e vocabular de minhas arengas - bem como por seu pedantismo) e esperança de resposta de algum fã mais exaltado de folhetim.
Despeço-me para voltar ao troninho pela quarta vez ao longo de minha insônia e aguardo os garfos de feno, as tochas e os uivos da multidão enfurecida. Forte abraço!
26 de agosto de 2009
A quanto tempo, não? Economia Ecológica 3.
Atenção, novos leitores: esta postagem será mantida apenas para fins de registro histórico, pois como alguém que gostaria de se tornar um bom cristão algum dia eu finalmente me manquei de que DEUS PROVERÁ e, portanto, essa estorinha de Ecologia é só um nome fofo para satanismo (não confiar no amor de Deus foi o que fez Lúcifer cair).
Senhores, bom dia.
Em primeiro lugar, desculpem o colossal atraso.
Agora, vamos ao último post sobre economia ecológica, que será deveras curto, composto por alguns comentários e opiniões.
Começo reforçando (ou apresentando, nem lembro) o conceito de "crescimento deseconômico". Toda produção, seja de produto ou de serviço, implica tanto em uma utilidade marginal (benefícios resultantes da produção da unidade mais recente deste produto ou serviço) quanto em uma "desutilidade" marginal (prejuízos - geralmente sociais, humanos e/ou ambientais). A utilidade é decrescente (cada unidade a mais traz menos benefícios) e a desutilidade é crescente.
O problema acontece quando a escala de produção de alguma coisa finalmente atinge o ponto em que utilidade = desutilidade. "Crescer" em termos crematísticos (aumentar ainda mais a produção em termos quantitativos) a partir desse ponto significa "descrecer" em termos oikonômicos (o meio ambiente chora e a soma dos prejuízos ultrapassa a dos benefícios para todo mundo).
Uma medida de fácil acesso para se verificar se a economia global como um todo está crescendo ou descrecendo é a pegada ecológica, que mede quanto gastamos de recursos naturais e de capacidade de recuperação do meio ambiente, e tem dados disponíveis no site (em inglês): http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/
Adivinhem se já não estamos ladeira abaixo?
Meu outro comentário é sobre uma modinha pavorosa que se abateu sobre as melhores cabeças pensantes da área, que é o conceito de Economia do Hidrogênio. Essa idéia consiste em acreditar que Hidrogênio gasoso é um combustível (está disponível na natureza para ser extraído ou produzido de forma rápida e fácil para uso como insumo energético) e substituir os combustíveis fósseis por esse gás.
O pequeno problema é que a 2ª Lei da Termodinâmica é inexorável, meus amigos. A cada vez que temos uma transformação energética (conversão de uma forma de energia em outra), temos uma perda de "energia disponível"/exergia. Ou seja, toda conversão de energia resulta em geração positiva e não-nula de entropia e em "desperdício de energia". Perde-se capacidade da energia de produzir trabalho útil (que é a definição de exergia).
Acontece que, a menos que se encontre um outro meio de produzir hidrogênio gasoso que não seja a eletrólise da água ou a reforma catalítica de outros combustíveis, toda produção de hidrogênio para uso como insumo energético implica em conversões energéticas adicionais e desnecessárias. A eletrólise gasta uma eletricidade que poderia ser usada para outra coisa, e a reforma transforma quimicamente um combustível que já poderia ser usado para outra finalidade em sua forma original.
As únicas opções que me vêm à mente são a fotólise da água (forma de aproveitamento de uma exergia solar que não nos estaria disponível de outro modo) e a engenharia genética de microorganismos produtores de H2 gasoso (idem, mas pouco provável, já que seriam microorganismos dedicados a dar um passa-moleque efetivo na 2ª Lei, bem mais forte que aquele passa-moleque aparente comum a toda forma de vida).
Enfim, hidrogênio não é combustível, é vetor energético (ou "bateria", se vocês preferirem). H2 gasoso é um modo de armazenar energia, não um insumo energético propriamente dito.
Assim sendo, qualquer aplicação do hidrogênio em que o uso de um vetor energético (seja o H2 ou qualquer outro) não seja imprescindível (ou seja, onde não for realmente necessário armazenar energia) é contraproducente, e há muitos vetores energéticos menos dispendiosos e trabalhosos que o uso deste gás, que deve ser armazenado ou em hidratos metálicos (tecnologia complexa cuja manufatura implica em gastos energéticos consideráveis) ou em tanques pressurizados e resfriados (gasto energético colossal).
Portanto, falar em Economia do Hidrogênio, a menos que se façam ressalvas fortíssimas e toda uma série de explicações, é no mínimo um sinal claro de despreparo técnico.
Finalmente, um comentário pessoal:
- "Me recuso a sequer aprender a dirigir enquanto os veículos híbridos elétrico/biocombustível não chegarem ao Brasil com preços minimamente acessíveis às classes C e D!".
Sério, dirigir em outras condições, salvo exceções muito específicas, é um ato de um egoísmo bárbaro. O transporte público atende a grande maioria das necessidades, e o fato de ele ser deficitário e desconfortável deve-se, em grande parte, à pouca demanda por parte de pessoas esclarecidas e dotadas da capacidade de influenciar o mundo ao seu redor. Se mais pessoas capazes de interferir nos processos decisórios envolvidos usassem transporte público, mais pressão haveria no sentido de melhorar seu fornecimento.
Fora isso, o automóvel ocupa um espaço de pista por passageiro muito maior que o ônibus, e o transporte ferroviário/metroviário gasta muito menos energia por (passageiro transportado) x (distância percorrida). Carros estragam o trânsito dos ônibus e motos estragam o trânsito de todo mundo (costurando entre os outros veículos, reduzem a velocidade média de todos os outros motoristas).
E o que o transporte público não atende, o táxi resolve. Ponha na ponta do lápis a despesa fixa com um automóvel, somando combustível, seguro e impostos, e compare com o custo mensal de usar um táxi para as exceções e transporte público para os deslocamentos mais comuns.
Até o próximo post, se houver!
11 de julho de 2009
Economia Ecológica 1: Oikonomia X Crematística
Atenção, novos leitores: esta postagem será mantida apenas para fins de registro histórico, pois como alguém que gostaria de se tornar um bom cristão algum dia eu finalmente me manquei de que DEUS PROVERÁ e, portanto, essa estorinha de Ecologia é só um nome fofo para satanismo (não confiar no amor de Deus foi o que fez Lúcifer cair).
Senhores, boa madrugada.
Estaria tudo muito bem nesse modelo, se nos serviços produtivos se incluíssem aqueles prestados pelo ecossistema, tais como fornecimento de minérios e solo fértil, purificação das águas, da atmosfera e dos solos, regulação climática, polinização de culturas agrícolas e tantos outros. O problema todo é que os economistas passaram a definir capital apenas como sendo capital financeiro (dinheiro e crédito) e manufaturado (maquinário e congêneres).Com isso, branquinho sai por aí dizendo que os capitais manufaturado/financeiro (dinheiro, maquinário, etc.) e natural (recursos naturais em geral) são perfeitamente intercambiáveis/substituíveis, ou seja, se faltar recurso natural, basta enfiar mais máquinas e dinheiro na conta que eles acreditam que dá tudo certo. É sério, se você perguntar para um economista clássico se existe o problema da escassez de recursos naturais, ou ele ri na tua cara (sendo que ele é quem é demente, por rir) ou ele te dá uma preleção fantastólica dizendo que na falta de um recurso natural a inventividade humana dá conta de criar uma nova máquina, processo produtivo ou outra mumunha qualquer que resolve o “seu suposto problema de escassez de recurso natural”. Por que, para ele, o ecossistema é apenas mais uma parte da economia, de onde você pode retirar recursos e onde você pode descartar seus rejeitos, enquanto que a "economia" cresce em volta e fora dele tanto quanto você quiser, conforme o diagrama abaixo:


O problema é justamente que o mundo ESTAVA vazio, do verbo JÁ NÃO ESTÁ MAIS. Com a aceleração continuada da economia global, que consome quantidades cada vez maiores de recursos materiais, insumos energéticos e serviços naturais (de absorção e reciclagem de resíduos inclusive), chegamos ao que nós oikonomistas denominamos mundo cheio.

A economia mundial simplesmente está “batendo na tampa” do ecossistema global finito. Não há minério, solo fértil, água potável e etc. e tal para todo mundo, e os economistas de plantão ainda querem que a economia mundial continue a crescer indefinidamente. Perceberam o desastre? A conta não fecha, mas como eles esqueceram uma parcela dos números, não enxergam mais esse não fechamento.
Antes que alguém venha me chamar de vermelhinho ou coisa que o valha, um esclarecimento adicional: o capitalismo propriamente dito não é intrinsecamente incompatível com a economia ecológica (oikonomia). A incompatibilidade vem da contabilidade incompleta praticada em sua versão atual. Hoje, contabilizam-se apenas e tão somente os capitais financeiro e manufaturado, de onde vem que a conta não está fechando. Pois basta reinserir nesse “livro-caixa” os lançamentos correspondentes aos capitais humano, social e natural/físico (recomendo a leitura de “Capitalism as if the world matters”, de Jonathon Porritt).
Capital humano é tudo o que podemos, como pessoa, aportar a um processo produtivo, incluindo força física, inteligência lógico-matemática, todos os demais tipos de inteligência (intrapessoal, interpessoal, espacial-motora, musical, etc.) e nosso capital intelectual (conhecimentos, habilidades e competências).
Capital social é todo o conjunto de regras e interações sociais que nos permitem produzir e conviver em harmonia: instituições, leis, regras, cultura, etiqueta, etc.
Capital natural ou capital físico é a soma de todos os serviços e produtos fornecidos pelo ecossistema: purificação atmosférica, ciclo da água (incluindo regularidade de regimes de chuvas), fornecimento e renovação de solos férteis, fertilização de culturas agrícolas, fornecimento de matérias primas diversas, fornecimento de oxigênio atmosférico pelo fitoplâncton oceânico, reciclagem de rejeitos sólidos pelo solo e respectiva microfauna bacteriana, etc., etc., etc.
Uma vez que você devolve os “números” correspondentes a essas informações ao seu “sistema de equações”, a conta volta a fechar. Afinal de contas, capital é todo e qualquer estoque a partir de cujo fluxo podemos auferir bens e serviços. E o bom e velho capitalismo é o sistema de mercado em que a oferta e a procura dos bens e serviços regem sozinhos os fluxos dos diversos tipos de capital (a boa e velha "mão invisível" de Adam Smith). Desde que você se lembre de incluir em seu modelo todos os capitais envolvidos em seu processo econômico, o modelo funciona.
Hoje eu já deixei com vocês os conceitos de Oikonomia X Crematística, mundo vazio, mundo cheio e Teoria dos Cinco Capitais (natural/físico, humano, social, manufaturado e financeiro).
Antes de encerrar, convido-os a fazer uma pequena "lição de casa": recordem termodinâmica básica (1ª e 2ª leis) e fucem no Google atrás das palavras ENTROPIA e EXERGIA. Isso será útil para o melhor aproveitamento do próximo post desta série.
Por enquanto já está de bom tamanho para uma introdução, então à guisa de fechamento vou apenas deixar alguns autores obrigatórios:
- Nicholas Georgescu-Roegen: pai da matéria, com seu The Entropy Law and the Economic Process;
- Robert Costanza: membro fundador da International Society of Ecological Economics; e
- Herman Daly: meu autor favorito, extremamente prolífico. Para os iniciantes, recomendo seu altamente didático “Ecological Economics: Principles and Applications”, em co-autoria com Joshua Farley.
Daqui duas semanas, retomarei alguns dos conceitos básicos e construirei para vocês um pequeno “teorema de impossibilidade”, uma ferramenta básica de suma importância para o remodelamento da teoria econômica visando a obtenção de uma economia ESTÁVEL e, portanto, SUSTENTÁVEL, e para a compreensão de por quê isso é absoluta e inequivocamente necessário.
Até lá, pessoal!
26 de junho de 2009
Liberdade de expressão
Vem disso, do fato de que o ato sexual é um momento de intimidade tão grande e tão absoluta que forçosamente deixa uma marca, um elo, entre as pessoas que o praticam. Por mais mínimo que seja, mas deixa. E o sexo foi feito assim justamente (entre outras coisas) por esse motivo, para que o casal que escolheu unir suas vidas tenha mais e mais motivos para permanecer mais e mais unido. Por que o sexo em si mesmo é bom, mau é o mau uso que se faz dele. De resto, assim como qualquer outra parte da criação, diga-se de passagem. Fazer sexo só por fazer sexo é tão incompleto e inadequado quanto comer por gulodice. Alguém que sai transando só pelo prazer é como um gordinho que se entope de chocolate só por que é gostoso. Da mesma forma, o sexo dentro de um casamento feliz é um momento abençoado de felicidade e completude, da mesma forma que uma refeição em família, em uma mesa cercada de parentes e amigos que conversam e riem felizes por estar contigo, é um momento de felicidade e união."
Simples, mas quem não crê, e principalmente quem não quer crer vai achar dificilímo de entender ou mesmo verdadeiramente insano/ininteligível. Em verdade, estreita é a porta e árduo o caminho para a salvação, e a sabedoria de Deus é loucura aos olhos dos homens! Mas antes que alguém venha me chamar de santo ou beato, já informo que cometi muitos erros ao longo da vida e os cometo até hoje. Sou humano, ora, pílulas! O que nos diferencia enquanto católicos é que nós nos sabemos peregrinos nesta terra e, apesar das constantes quedas, nos esforçamos para nos manter em pé e caminhando rumo à Jerusalém Celeste. Minha vontade ainda não se conformou totalmente à do Pai Eterno, mas sempre que eu me lembro eu peço que o Altíssimo torne meu coração mais conforme ao Seu. Justamente por isso, também, é que temos o sacramento da Reconciliação (a.k.a. Confissão e penitência).
Outra atitude, menos comum e mais "gentil", é uma espécie de condescendência intelectual, essa já mais característica dos ateus, muitos dos quais acham que somos "coitadinhos" necessitados de "esclarecimento". Já me perguntaram se eu corri de volta para a fé por causa de algum perrengue na vida. Como se a Fé fosse um escapismo, característico de pessoas fracas e incapazes de enfrentar a realidade de forma racional. Não, senhoras e senhores, não é escapismo compreender que há uma Causa Primeira para o Universo e que essa Causa Primeira é um Deus pessoal e que nos ama. Convido quem estiver disposto a uma senhora aventura intelectual a ler a Summa Theologica de Tomás de Aquino (aviso, está em inglês): http://www.newadvent.org/summa/. Vai levar um tempão, pois são 4 longos livros, eu mesmo ainda estou no começo. Mas realmente vale a pena para quem quer entender melhor como pensa a ICAR. Também recomendo, nesse sentido, o Catecismo da Igreja Católica (em português de Portugal, e ainda preciso ler inteiro e com calma - até agora só tinha lido o Compêndio, que é uma versão abreviada sob a forma de perguntas e respostas): http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html.
Também não posso esquecer dos relativistas espirituais, que acreditam que toda forma de religiosidade é positiva e nos acusam de "querer monopólio". Aí vai um debate individual com cada um, que não caberia aqui (o post já está gigante até na minha opinião). Mas cabe mais uma digressão, para aqueles que dizem que toda e qualquer religião institucionalizada é apenas um clubinho onde se reunem pessoas geográfica e/ou consangüineamente próximas. Para estes, deixo meu testemunho pessoal de único católico fervoroso da família e as conversões que presenciei tanto pessoalmente (no grupo de catequese para jovens e adultos de minha paróquia, que convenci minha esposa a freqüentar antes de nos casarmos na Igreja) quanto à distância (testemunhos e reportagens no periódico católico This Rock, da Catholic Answers - http://www.catholic.com/magazines/thisrock.asp), bem como a sugestão de pesquisar sobre movimentos missionários e congregações como a dos Vicentinos e a dos Jesuítas.
Finalmente, a velha história de falar de padres pedófilos como última barreira para nos mandar calar a boca. Cabe informar que, segundo me consta, um procedimento comum da Igreja é transferir os acusados de pedofilia para regiões distantes do local da acusação, com os seguintes objetivos: