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7 de agosto de 2011

Trabalho em equipe não é tudo isso.

Antes de mais nada, não custa recordar que eu tenho o meu tanto de sociopatia, então não espere um módico que seja de condescendência para com quem sobrevaloriza a capacidade de ser um bom subordinado.

Isto posto, já deixo à guisa de abstract o mote deste post: atualmente, no mais das vezes quem sabe obedecer não merece mandar.

Hoje em dia todo empregador ou recrutador quer por que quer ouvir de qualquer candidato a qualquer posto que fulano "sabe trabalhar em equipe". Como toda modinha corporativa e/ou de RH, isso quer dizer algo completamente distinto do que se poderia esperar a partir da linguagem do dia a dia.

Saber trabalhar em equipe deveria ser apenas uma expressão pomposa para designar o mínimo de empatia e de capacidade de comunicação necessários para se funcionar em sociedade. Em um mundo perfeito, perguntar se alguém possui este conjunto mínimo de habilidades sociais deveria ser tão anódino quanto aplicar um teste psicotécnico. Então, por que cargas d'água valorizam tanto essa "qualidade"? E o mais importante: por que isso me causa tão profundo asco a ponto de me motivar a escrever aqui no Águas?

Por que o que as pessoas esperam de alguém que "sabe trabalhar em equipe" é algo completamente distinto. Resumindo, é falta de espinha. Resumindo e falando chique, é subserviência burra.

Se você tem um mínimo de força de vontade, se recusa a bater palminha para maluco dançar, não sorri abjetamente ao ouvir uma ideia idiota, tem colhões para bater de chapa com o senso comum quando a razão te indica que ele está errado, não tem tempo para afagar o ego de quem está emperrando o caminho ou de qualquer outro modo dá preferência à tarefa bem cumprida e ao objetivo atingido quando isso precisa ser feito em detrimento do ego alheio, você "não sabe trabalhar em equipe".

Conquanto um empreendimento dificilmente funcione se todos forem líderes, é impossível levar algo adiante com uma equipe composta por 100% de subordinados. Por que hoje é isso que um "team-player" é: um SU-BOR-DI-NA-DO. Alguém que só obedece e nunca manda, alguém que sempre espera as determinações alheias e jamais toma a peito o determinar o rumo das próprias ações. E o pior de tudo, alguém que nunca, jamais, sob hipótese alguma, em momento algum, não importam as circunstâncias, faz algo por iniciativa própria por saber individualmente que esse algo deve ser feito.

Por que? Por quê isso é "individualismo", "ego inflado", "imaturidade", "irresponsabilidade" e o que mais os COVARDES, INCOMPETENTES e CALHORDAS dessa mil vezes maldita geração do politicamente correto puderem assacar contra quem ainda tem iniciativa individual (que eles aparentemente valorizam sob o rótulo de "proatividade") e amor ao bom senso e a um trabalho bem feito, inclusive em detrimento do ego alheio sempre que este se interpõe entre quem trabalha e a boa execução do trabalho.

Enfim, para merecer o nada honroso epíteto de bom team-player, o indivíduo deve ser uma ovelha lobotomizada. Muito embora esse tipo de pessoa até tenha sua função em alguns lugares e situações, isso não deveria ser uma qualidade, muito antes pelo contrário. Mesmo por que, entre outras coisas, isso é o oposto diametral do que se precisa ter para ser um líder, ou mesmo para desempenhar minimamente bem qualquer função que envolva tomada de decisões e ou comando.

Agora vamos para a cereja do sunday: se uma companhia ou departamento só tem bons team-players, ele(a) está desfalcado(a) de pessoas capazes de assumir postos de chefia e/ou se tornarem responsáveis diretas pela tomada de decisões. Oras, se você está sempre habituado a receber suas determinações de fora, como alguém pode esperar que você tome uma decisão qualquer de moto próprio?

Finalmente: não venham me dizer que eu estou errado por que o bom é tomar decisões por consenso. Toda decisão tomada por consenso recai no mínimo denominador comum.

Os antigos já diziam: "A força de uma corrente é a força de seu elo mais fraco". Por conseguinte, a qualidade de uma decisão tomada por consenso é a qualidade da capacidade decisória do indivíduo menos capacitado envolvido no processo. O que vale dizer que um único indivíduo um pouco menos competente que possa triscar uma unha em uma tomada de decisão já compromete o processo todo.

Boas decisões são aquelas tomadas individualmente, após consulta às fontes relevantes de informações e conhecimento. Saber ouvir é importante e consultar corretamente os envolvidos em um processo é essencial, mas a boa tomada de decisão, além de bem informada, é um evento/processo de caráter IN-DI-VI-DU-AL. Sem compromissos, sem hesitações, sem política. O tomador daquela decisão deve ser o único responsável por ela, que deve ser aquilo que a seu ver seja o melhor caminho para se obter o resultado desejado/necessário.

Soluções de consenso não são o melhor, elas são o que dá para acomodar junto a todo mundo. Dificilmente essas duas coisas coexistem.

Então, vamos embora parar de exigir que seja todo mundo bom team-player e começar a pelo menos respeitar quem ainda consegue honrar as calças que veste nesse mundinho politicamente correto e sem espinha de hoje, faz favor, obrigado?!?

13 de outubro de 2009

Depois de um longo e tenebroso feriado...

Eis que retorno a este arremedo de blog.

São 3:12h da madruga e estou passando por uma noite de rei, graças à ressaca do churrasco de sábado: passei o domingo visitando o trono regularmente e agora nessa madrugada a coisa se acentuou. Espero que esse surto final limpe meu tubo digestivo do resto do meu envenenamento por Heineken (cervejinha de %erda...).

De qualquer modo, hoje vou escrever sobre uma coisa que eu odeio com todas as fibras d'alma: novela. Aqueles enredos manjados recheados de interpretações histriônicas e ataques sistemáticos à moral e aos bons costumes.

Sim, ataques sistemáticos à moral e aos bons costumes. Toda novela, não importa qual seja a emissora ou até mesmo o país de origem, tem sempre pelo menos um matrimônio dito "disfuncional" para o qual a "solução" apresentada é um adultério ou dois, seguido ou não de divórcio. Detalhe: todos os casos em que ocorre apenas um adultério demonizam o cônjuge traído e apresentam-no como "culpado" e "merecedor da galha", enquanto apresentam o cônjuge traíra como "vítima", "herói/heroína" e "muito digno por buscar sua felicidade".

Fora isso, amor=sexo é uma equação totalmente em alta no meio novelístico. Essa história de se preservar/guardar para o casamento sequer é cogitado. Todos os namoros novelísticos são fartamente regados a sexo, para personagens a partir dos 18 (e sabe Deus até quando vai essa restrição de idade, vai que Polansky finalmente faz escola por aqui).

Aliás, religião em novela é um caso a parte. Em nome da tolerância, do multiculturalismo e da "civilidade", todos os sistemas de crenças são eventualmente retratados nos personagens da teledramaturgia, sempre com muito respeito. EXCETO OS CATÓLICOS. Todo católico é retrógrado, hipócrita, fanático, obscurantista, mentiroso, fraco ou estúpido, isso quando não é um caso de "junta" (junta tudo e joga fora). Todo padre de novela tem amante(s), larga a batina ou serve ao dinheiro ao invés de servir a Deus.

Completando o febeapa (para quem não conhece Stanislau Ponte Preta: FEstival de BEsteira que Assola o PAís) televisivo, de uns tempos para cá é difícil eu ter notícia de uma telenovela que não tenha um núcleo sodomita. Quando não é um par de pederastas é um par de sáficas, e o grande burburinho da mídia fica sobre "essa censura moralista e hipócrita que não permite beijo gay em novela". Que bom que pelo menos esse limite ainda resiste, ora pílulas!

Enfins, agora que tratei dos problemas mais graves, vamos à posta restante. Digamos que você leitor não creia, e ache que tudo o que digitei até o momento foi apenas um arroto medieval em plena era dos terabites. Pois vou mostrar que mesmo você deve largar mão de assistir novela e ler algo no lugar, nem que seja Paulo Coelho (outra droga, mas desse eu falo em outra postagem).

Começa que roteiro de novela nunca é um roteiro só. Até aí tudo bem, subtramas e tramas paralelas são um ingrediente importante em boas obras de ficção, enriquecendo o texto final e auxiliando no desenvolvimento mais rico da trama principal. Mas isso só é válido para boas tramas principais auxiliadas por tramas paralelas e subtramas de qualidade no mínimo mediana. Caso contrário, teremos apenas mais lixo pelo seu tempo investido.

O problema básico do formato telenovela é a correlação entre tempo ficcional e tempo real, que é mantida constante em "1c:1d" (um capítulo de novela retrata um dia de tempo real), à exceção dos flash-backs e flash-forwards. Uma vez que se retratam 24 horas de roteiro em um condensado de 1 hora com intervalos comerciais, não é possível apresentar tramas acima de um determinado nível de complexidade por limitação de tempo. E se você adiciona a essa limitação natural a necessidade de dividir o tempo de cada capítulo em núcleos ou tramas auxiliares, tramas paralelas e subtramas, aí é que o nível de complexidade permitido para cada trama ou subtrama individual vai para o chão de uma vez e, com isso, temos garantia de mais lixo por nosso tempo investido em assistir.

A consequência inevitável é a padronização dos roteiros, tratada magistralmente no post http://blog.desfavor.com/2009/09/desfavor-explica-novelas-da-globo.html, do blog Desfavor. Seus redatores expuseram fartamente todos os furos mais clássicos de roteiro das produções da Vênus Platinada e, se as melhores são assim, o resto então nem se fala. Mas vale a pena jogar sal em algumas das feridas apontadas, para ver os noveleiros deste meu Brasil varonil esperneando.

Começa que é mesmo inegável que novela é feita para anestesiar os socialmente desfavorecidos, para empurrar goela abaixo do povão que ser pobre é uma delícia e ser rico deve ser mesmo um calvário. Todo rico é mostrado como mau e antipático, à exceção da mocinha que é quase sempre albina, anoréxica e herdeira inocente de uma fortuna sangrenta.

Falando em mocinha, essa parte do par romântico é uma história à parte. Os desentendimentos padrão e as idas e voltas do costume antes que esse par se case, sempre no último capítulo da trama, são a parte mais bur(R)ocrática do roteiro. É sempre uma combinação linear de alguém com interesse romântico em um dos dois, intriga de falsos amigos, implicância da família e problemas com desnível social. A única novidade de que tive notícia na área foi colocarem mocinhas enfrentando doenças.

Outra coisa é que todo personagem de novela é personagem plano (protagonistas e coadjuvantes importantes) ou tipo (todo o resto). Resultado óbvio da correlação 1 para 1 apontada acima, pois se os segmentos de enredo devem ser simplificados ao máximo igualmente simplificados devem ser os personagens. Com isso, temos a inflação sistemática de vilões demoníacos, heróis a la Superman e personagens estereotipados de todos os matizes.

Evidentemente todos escolhidos a dedo para que a patuléia ensandecida continue acreditando piamente que sua vidinha medíocre é maravilhosa, não há por que querer progredir e inclusive isso de querer melhorar de vida é coisa de vilão, por que afinal de contas ambição é um defeito horroroso e uma vaidade sem tamanho: "Onde já se viu, alguém estar insatisfeito com a própria vida e querer ter e ser mais?", é o que dizem reiteradamente de forma direta todos os personagens ambiciosos de núcleos pobres de forma direta (e de modo indireto e um pouco menos ostensivo todos os demais).

Senhores, um momento de raciocínio, por favor, obrigado. Evidente que não estou aqui fazendo apologia ao pecado de Lúcifer (que caiu por orgulho), mas demonizar uma personagem automaticamente pelo simples motivo de que esta declara desejar uma vida melhor para si é de um despautério a toda prova. Existe orgulho besta, que bota as pessoas em volta do "orgulhoso" para baixo na base do pisão e da humilhação, e existe a vontade de progredir. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Vontade de progredir TODO MUNDO TEM QUE TER.

Continua que a simplificação extrema dos roteiros exigida pelo emparelhamento do tempo de novela com o tempo real obriga cada capítulo a ser um primor de tédio e chatice, pois tramas simples geram capítulos simples e repetitivos. É a famosa sensação de que, após as duas primeiras semanas decorando os nomes e funções de todo mundo no folhetim acompanhado, basta assistir a um capítulo por semana que já está de mau tamanho, por que é sempre a mesma coisa todo santo dia.

E termina que o fim de cada personagem é sempre de uma previsibilidade rançosa. Mocinhos felizes, mocinhas casadas e com filhos, vilões derrotados ao final, pobres fazendo festa, ricos se redimindo de sua riqueza, pares homossexuais "reconhecidos pela sociedade e vivendo felizes seu casamento" e assim por diante, ad infinitum et ad vomitorium. E como todos os personagens terminam sempre do mesmo modo, todos os capítulos finais são idênticos, por definição matemática. O que torna particularmente deprimente o comportamento de quem se altera em função de um último capítulo de novela que, diga-se de passagem, TEM REPRISE NO SÁBADO PARA QUEM PERDER NA SEXTA, então não é verdade sequer que último capítulo só tem uma vez, como uns e outros ainda tentam alegar.

Antes que alguém me acuse de hipocrisia, por acreditar que é preciso assistir para saber de tudo isso, digo que assisti novela até Celebridade, mas é como se eu assistisse até hoje. Os motivos são dolorosa e constrangedoramente simples:

1) Os roteiros "telegráficos" fazem com que basta você assistir à chamada da novela nos intervalos comerciais da programação normal para que você efetivamente acompanhe o desenvolvimento da trama. Se o seu QI for de 100 pontos (normal), não é preciso assistir mais que as chamadas ao longo dos intervalos comerciais.

2) Há toda uma imprensa especializada capitalizando no público fiel desse segmento da produção televisiva, e essas publicações ocupam um espaço significativo nas bancas de jornal, o que torna impossível comprar jornais e revistas de outros assuntos sem esbarrar com os olhos em manchetes que atualizam os poucos que conseguem escapar às vinhetas.

3) Quem assiste novela não consegue conversar por mais que 5 minutos sem mencionar seu vício e obrigar seu interlocutor a acompanhar suas opiniões sobre o que está acontecendo com tal e tal personagem (geralmente alguém do par romântico, um vilão ou um alívio cômico - este último um tipo ainda mais insosso e estereotipado que a média, caracterizado por um "bordão" ou cacoete que a patuléia sempre achará hilário e fará questão de reproduzir para teu desprazer estético e intelectual como se aquilo fosse o fino da bossa).

E como apontaram com precisão cirúrgica no blog que mencionei ao final da lista de deméritos morais da teledramaturgia nacional, ai de quem ousa se erguer contra esse instrumento de emburrecimento em massa, contra esse genocídio de neurônios que é a novela de televisão. Por que falar mal de novela é de um elitismo imperdoável, infinitamente mais esnobe que não ler Paulo Coelho ou não ouvir música "popular" (pagodinho de plástico - um fanho cantando e 6 epilépticos surtados fazendo dancinha tosca no fundo do palco -, axé, funk carioca, porno-forró ou sertanojo/breganejo). Fenômeno típico de republiqueta de banana movida a pão e circo (aliás a muito mais circo que pão), onde a mídia trabalha junto com os donos do dinheiro para destruir sistematicamente o discernimento dos extratos mais baixos da sociedade.

O que arrebenta com uma republiqueta de banana no longo prazo é o fato de que essa destruição da capacidade de discernimento do povo destrói a produtividade da força de trabalho nacional, inviabiliza o funcionamento das instituições e oblitera a produção cultural do país, pois um povo que não pensa não tem senso estético para produzir arte, não raciocina para manter o funcionamento das instituições (a bem da verdade sequer as compreende, quanto mais lhes compreende a necessidade e o como mantê-las) e não tem mais competência sequer para apertar botões e operar maquinário. As telenovelas ajudam sobejamente nesse processo de emburrecimento, ao atacar as fundações morais do povo e dopá-lo (Marx só disse que a religião é o ópio do povo por que não tinha telenovela na época dele...).

Uma associação óbvia é sexo&drogas (só faltou o rock&roll?): a novela anestesia o povão geral e ainda incentiva a fazer filhos! Já repararam como cada nascimento em novela é super-hiper-mega-master-blaster festejado? Como cada nova mamãe é um ser tão mais feliz e realizado que as personagens femininas que abrem mão da maternidade para ter uma carreira ou tomam qualquer outra decisão igualmente razoável que as leve a não procriarem como coelhas no cio? E ninguém fala em controle de natalidade (o método Higgins de acompanhamento do muco cervical funciona sim, confiram junto à WHO - World Health Organization ou Organização Mundial da Saúde, da ONU - ou chequem este link, mais fácil: http://vida.aaldeia.net/metodo-muco-cervical-billings/), ou em como o mundo de hoje está mau e perigoso para quem quer ter um filho e criá-lo com um mínimo que seja de correção moral.

Claro que falar mal de droga para um drogado é pedir para apanhar, daí a reação explosiva e apaixonada de todo noveleiro quando lhe apontamos o ridículo daquilo que assiste. O que é garantia de "silêncio olímpico" da maioria dos meus eventuais leitores (os poucos tarados que superarem as barreiras psicológicas impostas pela extensão textual e vocabular de minhas arengas - bem como por seu pedantismo) e esperança de resposta de algum fã mais exaltado de folhetim.

Despeço-me para voltar ao troninho pela quarta vez ao longo de minha insônia e aguardo os garfos de feno, as tochas e os uivos da multidão enfurecida. Forte abraço!

28 de julho de 2009

Mais um aviso aos navegantes.

Senhores, boa noite.

Só para avisar que NÃO encurtarei NEM facilitarei meus textos para agradar leitores com baixa alfabetização funcional.

Quer textos curtos e simples, compre "Júlia" ou "Sabrina" na banca de jornal.

Até a próxima!

5 de julho de 2009

Momento enxaqueca

Senhores, boa tarde.

Antes de mais nada, sim, advogarei em causa própria. O que normalmente não é uma boa recomendação, mas neste caso hão de convir que só advogando em causa própria, mesmo.

Fora isso, não pertenço ao time do Aldo Rebelo (um xarope que devia tomar tomar surra de peixe morto todas as manhãs, a ver se virava gente), que acredita que não se devam usar palavras de outros idiomas misturadas com o português sob hipótese alguma. Não me apetece fazer como os lusos que chamam o mouse do computador de rato.

Isto posto, meu protesto é contra o uso da palavra NERD. Afirmo e reitero a quem pedir que todo aquele que a usa está prestando um desserviço a si e a todos a seu redor; quer fale a sério, quer esteja de brincadeira ou mesmo ainda se o disser por pura preguiça mental.

Muito embora eu saiba que o inventor do avião é Alberto Santos Dumont e que o melhor refrigerante do mundo é o Guaraná Champagne Antártica e prefira folclore nacional a essas histórias de Santa Claus e Halloween, não sou lá muito patriota. Não implico com o uso de termos em inglês quando importamos para a nossa um artefato de outra realidade. Pessoas que se divertem quebrando códigos de segurança em computadores e coisas do gênero são hackers, não há por que quebrar a cabeça inventando um nome em português para isso. Assim como ludopédio é o raio que o parta, fique sabendo quem quis renomear o tal do futebol.

Mas a palavra NERD se refere a um arquétipo de per si extremamente nefasto e amaldiçoadamente arraigado à psiquê nacional, que é o popular CU-DE-FERRO. Trata-se da noção de que todo o ser humano com gosto pela aquisição de conhecimentos e desenvolvimento da própria potência intelectiva, marcadamente aqueles que tem maior predileção pelas áreas de ciências exatas, é uma espécie de "aleijão mental" sem direito a vida social ou afetiva.

Os componentes mais clássicos desse arquétipo são a noção de que sua aparência física é forçosamente repulsiva, os assuntos de sua predileção áridos e aborrecidos, seu senso estético absolutamente deformado e a convivência com tal ser uma experiência excruciante a ser evitada a todo e qualquer preço.

A origem do termo nacional, versão chula do arcaísmo "caxias" (homenagem ao Duque de Caxias, em virtude do alto grau em que este apresentava a virtude da disciplina), provém da alegação (por parte dos colegas inaptos e invejosos) de que, para obter a seqüência ininterrupta de altas notas que caracteriza a vida acadêmica deste tipo de indivíduo, ele deva ter glúteos de aço, para suportar permanecer tanto tempo sentado diante dos livros.

Como podemos ver, o uso desse termo e as atitudes associadas integram-se à cultura da pessoa desde a mais tenra idade, pois que os alunos repetentes já o inculcam em seus coleguinhas. A explicação para isso é ainda mais simples. Em função dos instintos sociais inerentes ao ser humano, as classes costumam se organizar em estruturas sociais que giram em torno daquelas crianças que se destacam, sendo que todas, pelo instinto natural que nos leva a buscar a aceitação pelo grupo, desejam destacar-se de forma positiva. Os repetentes, obviamente, não conseguem fazê-lo em função de sua competência acadêmica, mas a natureza lhes deu a vantagem do tamanho e da força física, que eventualmente lhes conferem melhores resultados nas atividades esportivas e outras brincadeiras das aulas de Educação Física. Resultado óbvio, hostilizam os melhores alunos e criam em suas respectivas turmas uma cultura de que "quem gosta de estudar não é legal".

E se você "não é legal", não tem apelação. Passa sua vida escolar sem amiguinhos, sem namoradinha e sem ter a quem recorrer. Os psicologicamente mais fracos cedem e entram para a turma do fundão, tentando se integrar a essa estrutura social distorcida sendo bagunceiros e palhaços de turma.

Já os poucos fortes bastar-se-ão a si mesmos e comprazer-se-ão em desenvolver suas competências à revelia da patuléia desvairada, mas os anos de vida social escassa ou inexistente cobram o seu preço. Suas personalidades costumam se tornar introspectivas em maior ou menor grau, seu senso crítico torna-se altamente apurado e seu individualismo exacerbado a níveis incomuns (o proverbial "botão de FODA-SE" é apertado até o talo).

Alguns, a minoria barulhenta que dá munição ao estereótipo, chegam realmente a se tornar socialmente incapazes por misantropia pura e simples. Os demais desenvolvem personalidades próprias, sempre fora de conformidade com o que for mainstream à época, pelo único e suficiente motivo de que toda unanimidade é burra e eles não. Essa recusa automática a integrar-se ao mainstream completa a sentença de isolamento social (total ou parcial, dependendo da qualidade do ambiente humano que o cerca) do indivíduo, em função da preguiça mental da grande maioria das pessoas, que permanece presa à busca pela aceitação e via de regra tem por hábito escolher a rota mais fácil, que é abraçar as coisas e pessoas que forem mainstream e refugar as que não são.

Então, da próxima vez que você for chamar alguém de NERD, pense muito antes de fazê-lo.

  1. Você realmente acredita que é demérito para um ser humano o amor ao conhecimento?
  2. Você realmente acredita que inteligência é sinônimo de "não ser legal"?
  3. Você sincera e honestamente se orgulha de pertencer à mé(R)dia?
  4. Seus gostos são ditados pelos outros e você é feliz por isso?
  5. Você sincera e honestamente se orgulha de ter senso estético limitado e/ou capacidade intelectual inferior?

Para aqueles que responderam afirmativamente às cinco perguntas acima e estão estufando o peito e enchendo a boca para dizer que eu sou um nerd perdedor chorão, uma notícia e um conselho. Vocês são DESPERDÍCIOS DE OXIGÊNIO AMBULANTES. Aproveitem que não gostar de crianças está na moda e façam um favor à espécie: ABSTENHAM-SE DE SE REPRODUZIR, RETIREM SEUS GENES INFECTOS DO NOSSO POOL!

Mas se a sua resposta para qualquer uma daquelas perguntas for NÃO, então dobre a língua, peça mentalmente perdão a si mesmo (de joelhos, por que o desserviço que você estaria prestes a se fazer é do tamanho que você está sentindo agora para maior) e tire essa palavra do seu vocabulário e da sua mente.

Ufa! Falei.

26 de junho de 2009

Liberdade de expressão

Senhores, boa madrugada.

Como informei no post anterior, agora publico aos sábados ou domingos (madrugada de sexta para sábado também serve).
O tema de hoje é de especial interesse para mim, por que me afeta diretamente. E acredito que é de interesse para todos os irmãos da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana, mas na internet quem é do mundo gosta de nos identificar através da sigla, como se fossemos uma organização paramilitar ou sei lá eu o que). Antes, um esclarecimento. Não sou sacerdote. Sou um leigo, apenas e tão somente um fiel leigo. Mas como todo fiel, sou parte da Igreja, como irmão em Cristo e portanto parte do Corpo Místico de Cristo que é a Santa Madre Igreja.
Escrevo hoje sobre liberdade de expressão, e temo pelo dia em que sentirei a necessidade de escrever sobre liberdade de pensamento. Por que liberdade de expressão, em qualquer lugar e por mais que queiram dizer o contrário, é igual a onça pintada, sogra e software livre. Todo mundo é a favor, mas ninguém quer na própria casa. Sim, por que todo mundo é a favor da liberdade de expressão, até a hora em que o primeiro católico resolve abrir a boca ou clicar em "Responder"/"Postar"/"Publicar"/etc. Não é complexo de perseguição, são fatos. No momento em que a pessoa se declara cristã, metade do público já prepara as foices e as tochas. E assim que o infeliz se declara católico, então, o resto do público acende a fogueira e prepara o molho vinagrete. Se é na rede, já pega fama de troll e/ou é trollado, se é no mundo real, quem não tacha de beato falando na cara tacha pelas costas. E quem mais advoga pela liberdade de expressão é justamente o primeiro a amolar as facas e juntar a lenha, diga-se de passagem.
Exemplo típico: debates sobre células-tronco. Todo mundo pode falar o que bem entender, com ou sem embasamento científico, falando ou não em implicações éticas, sendo contra ou a favor da clonagem de seres humanos, favorável ou contrário à criação de quimeras/híbridos dos mais variados tipos, até o momento em que o primeiro católico abre a boca pra falar contra o uso de células-tronco embrionárias. Pode experimentar, não falha. A primeira reação sempre é de "Calem a boca deste obscurantista!". Ninguém pergunta, ninguém lê o resto da postagem ou permite que o indivíduo conclua sua argumentação em prol do uso de células-tronco adultas ou induzidas, nada. É de "Cala a boca, seu ignorante abjeto!" pra baixo. E o mais chato é que, embora os laboratórios farmacêuticos e os acadêmicos famintos por verbas de pesquisa neguem até a morte, todos os tratamentos efetivos desenvolvidos até hoje foram desenvolvidos a partir de células-tronco adultas, nunca a partir das embrionárias, que só Deus sabe como é que se manda que virem células do tecido certo pra cada ocasião (literalmente...).
Aliás, alguém aí de fora da ICAR sabe por que é que no Brasil o "prazo de validade" de embriões congelados é declarado como sendo de 3 anos? Por que na época da declaração era essa a idade média de uma fatiazinha bacana dos estoques, disponibilizando assim material a vontade para os primeiros estudos laboratoriais com verbas ($$$ é a palavra mágica, nesses assuntos), e por que era o máximo que se tinha noticiado à época, no Brasil, de idade de um embrião implantado que depois virou bebê. Só que lá fora as idades foram ajustadas para 8 anos, 10 anos e depois agasalharam de vez que não tem, por que há notícias e mais notícias na rede para quem googlear 13 year frozen embryo. Juro! Um embrião congelado por 13 aninhos foi implantado e a criança (se não me falha a memória britânica) tá feliz e saltitante por aí. Isso fora os casos de embriões de 8, 10 e 12 anos, mas vamos logo botar o pau da barraca em órbita. A verdade é que não tem esse prazo de validade, pessoal. Um embrião é vida até a hora em que alguém faz com que deixe de ser, não importa o quanto o mundo esperneie (e lá vem mais pedra do mundo, mas eu quero é mais).
E quando o infeliz resolve advogar pelos valores da temperança e da castidade, então? Aí é gente virando as costas e saindo, inclusive perdendo a amizade, no mundo real, e ameaça de kick/ban no mundo virtual. Aliás, não me espanto nada se meu blog for "denunciado" depois dessa postagem. Fora a sanha com que todo mundo passa a procurar uma brecha para tacar pedrada na pessoa. Não foi a toa que o Filho do Homem, no sermão das bem-aventuranças, deixou-nos esta mensagem tremenda: "Bem aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.".
Nada mais real, nada mais verdadeiro. A cada vez que um de nós ousa lembrar de que viemos para ser luz do mundo e sal da terra e tenta agir de acordo, as patadas e pedradas voam de todos os lados. Daí que eu digo que eu quero é mais. Por que vá falar alguém, hoje, em disciplina, a ver se não o tacham de retrógrado e metido a milico.  Vá falar alguém, hoje, em temperança, sem que lhe pespeguem epítetos tão desdourantes quanto santarrão, se não mais. Vá falar alguém hoje em castidade, a ver se não lhe atulham a caixa postal com preservativos, como já planejaram fazer a Sua Santidade, o Papa. Vá alguém postar um texto referente a qualquer destes valores em um fórum, a ver se não recebe no mínimo uma MP do administrador. Vá alguém escrever sobre isso em um blog, a ver se não lhe entopem a caixa de comentários com gentilezas do tipo "crente idiota", "virgenzinho estúpido" ou "hipócrita defensor de pedófilos". Enfins, a coisa mais gentil que alguém pode ouvir é algo do tipo "Nossa, como fulano ostenta essa tal dessa fé!".
Pois que seja, é meu dever "ostentá-la", por que "Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.". Então digam o que quiserem, por que aos olhos do mundo eu tenho é obrigação de "ostentar", mesmo. E que venham as pedradas, por que eu quero é mais!
Na sequência, a coisa mais óbvia é começarem com as mistificações do gênero "a igreja é uma força obscurantista que sempre lutou contra o progresso da ciência" e "os católicos são um baluarte do atraso, da truculência e da hipocrisia, como bem atesta A INQUISIÇÃO" ou ainda "é muito bonito falar tudo isso enquanto os padres comem criancinhas".
E dá-lhe o cidadão ter que se defender e defender à Igreja contra as mesmas acusações distorcidas, infundadas ou mal formuladas, vez após vez, principalmente por que para muitos dos que as lançam ao nosso rosto não importa o que respondemos, pois o fazem de forma retórica como guardiões das verdades históricas e da razão. O caso mais clássico é ouvir falar, vez após vez, que a Igreja quase queimou Galileu por causa de seus escritos científicos heliocêntricos. Primeiro: não foi por causa disso que Galileu foi chamado por um Tribunal do Santo Ofício, mas por uma questão de desobediência e de emissão de opiniões incorretas em questões de Doutrina.
O Papa Urbano VIII tinha aconselhado pessoalmente a Galileu (católico fervoroso, diga-se de passagem) que escrevesse seu "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo" como uma apresentação imparcial das hipóteses geocêntrica e heliocêntrica, para que a igreja tivesse tempo de apresentar aos fiéis uma argumentação filosófica e disciplinar (não dogmática, pois os dogmas são inalteráveis, nem doutrinária, por que não era o caso) adequada às conclusões astronômicas e sem prejuízos à compreensão das Escrituras por parte dos fiéis. Como os responsáveis pela avaliação do livro não tinham suficiente conhecimento astronômico para a empreitada de julgar esse material, como Galileu acabou por privilegiar totalmente o sistema heliocêntrico de forma parcial (ao contrário da recomendação papal, que era de apresentar inicialmente o heliocentrismo como um dispositivo matemático para melhor explicação dos fenômenos astronômicos) e como um dos personagens do livro de Galileu apresentou os argumentos geocêntricos de forma caricata e Urbano VIII se reconheceu na caricatura, acabou que o astrônomo foi convidado a dar explicações.
Outro clássico é se deparar com o conceito (pré-conceito, na verdade) de que a Igreja diz que sexo só se faz com fins de reprodução: mas você faz tudo o que a Igreja manda? Não faz sexo fora do casamento, não se masturba, não usa preservativo, não isso, não aquilo, não aquilo outro...? Nada mais falso, senhoras e senhores. O sexo em si mesmo não é mau, mau é o mau uso que se faz dele. Segue abaixo um texto que postei em um fórum do mundo, a respeito do assunto:
"O que acontece é que, ao contrário do que o mundo fala, sexo une as pessoas. Daí a importância de não se fazer fora de um relacionamento conjugal.Você certamente já deve ter ouvido falar de pelo menos um(a) amigo(a) que tenha um relacionamento horroroso com outra pessoa, da qual não consegue se desvencilhar por que "o sexo entre nós é incrível", não?

Vem disso, do fato de que o ato sexual é um momento de intimidade tão grande e tão absoluta que forçosamente deixa uma marca, um elo, entre as pessoas que o praticam. Por mais mínimo que seja, mas deixa. E o sexo foi feito assim justamente (entre outras coisas) por esse motivo, para que o casal que escolheu unir suas vidas tenha mais e mais motivos para permanecer mais e mais unido. Por que o sexo em si mesmo é bom, mau é o mau uso que se faz dele. De resto, assim como qualquer outra parte da criação, diga-se de passagem. Fazer sexo só por fazer sexo é tão incompleto e inadequado quanto comer por gulodice. Alguém que sai transando só pelo prazer é como um gordinho que se entope de chocolate só por que é gostoso. Da mesma forma, o sexo dentro de um casamento feliz é um momento abençoado de felicidade e completude, da mesma forma que uma refeição em família, em uma mesa cercada de parentes e amigos que conversam e riem felizes por estar contigo, é um momento de felicidade e união."

Simples, mas quem não crê, e principalmente quem não quer crer vai achar dificilímo de entender ou mesmo verdadeiramente insano/ininteligível. Em verdade, estreita é a porta e árduo o caminho para a salvação, e a sabedoria de Deus é loucura aos olhos dos homens! Mas antes que alguém venha me chamar de santo ou beato, já informo que cometi muitos erros ao longo da vida e os cometo até hoje. Sou humano, ora, pílulas! O que nos diferencia enquanto católicos é que nós nos sabemos peregrinos nesta terra e, apesar das constantes quedas, nos esforçamos para nos manter em pé e caminhando rumo à Jerusalém Celeste. Minha vontade ainda não se conformou totalmente à do Pai Eterno, mas sempre que eu me lembro eu peço que o Altíssimo torne meu coração mais conforme ao Seu. Justamente por isso, também, é que temos o sacramento da Reconciliação (a.k.a. Confissão e penitência).

Outra atitude, menos comum e mais "gentil", é uma espécie de condescendência intelectual, essa já mais característica dos ateus, muitos dos quais acham que somos "coitadinhos" necessitados de "esclarecimento". Já me perguntaram se eu corri de volta para a fé por causa de algum perrengue na vida. Como se a Fé fosse um escapismo, característico de pessoas fracas e incapazes de enfrentar a realidade de forma racional. Não, senhoras e senhores, não é escapismo compreender que há uma Causa Primeira para o Universo e que essa Causa Primeira é um Deus pessoal e que nos ama. Convido quem estiver disposto a uma senhora aventura intelectual a ler a Summa Theologica de Tomás de Aquino (aviso, está em inglês): http://www.newadvent.org/summa/. Vai levar um tempão, pois são 4 longos livros, eu mesmo ainda estou no começo. Mas realmente vale a pena para quem quer entender melhor como pensa a ICAR. Também recomendo, nesse sentido, o Catecismo da Igreja Católica (em português de Portugal, e ainda preciso ler inteiro e com calma - até agora só tinha lido o Compêndio, que é uma versão abreviada sob a forma de perguntas e respostas): http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html.

Também não posso esquecer dos relativistas espirituais, que acreditam que toda forma de religiosidade é positiva e nos acusam de "querer monopólio". Aí vai um debate individual com cada um, que não caberia aqui (o post já está gigante até na minha opinião). Mas cabe mais uma digressão, para aqueles que dizem que toda e qualquer religião institucionalizada é apenas um clubinho onde se reunem pessoas geográfica e/ou consangüineamente próximas. Para estes, deixo meu testemunho pessoal de único católico fervoroso da família e as conversões que presenciei tanto pessoalmente (no grupo de catequese para jovens e adultos de minha paróquia, que convenci minha esposa a freqüentar antes de nos casarmos na Igreja) quanto à distância (testemunhos e reportagens no periódico católico This Rock, da Catholic Answers - http://www.catholic.com/magazines/thisrock.asp), bem como a sugestão de pesquisar sobre movimentos missionários e congregações como a dos Vicentinos e a dos Jesuítas.

Finalmente, a velha história de falar de padres pedófilos como última barreira para nos mandar calar a boca. Cabe informar que, segundo me consta, um procedimento comum da Igreja é transferir os acusados de pedofilia para regiões distantes do local da acusação, com os seguintes objetivos:

1) Impedir que o sacerdote em questão possa interferir no rumo das investigações, seja por intimidação ou por qualquer outro meio;
2) Em caso de culpa real, cumprir o duplo propósito de livrar as vítimas da ação deste culpado e dar ao mesmo ocasião e tempo de fazer penitência em lugar mais retirado; e
3) Em caso de inocência, se necessário for para a segurança do acusado, livrá-lo das mãos de seus falsos acusadores.
Nada de acobertar culpados, não é mesmo? Mas quem é que diz que isso aparece na imprensa? As punições eclesiásticas não vêm a lume não por que não ocorram, mas por que não é do interesse da imprensa dizer que ocorreram. Desmentidos não vendem jornais e punição eclesiástica de padres é algo que só interessa à Igreja, não aos demais leitores, ouvintes e telespectadores. E tantas e tantas outras coisas que eu poderia escrever aqui, em um post gigante até para os meus próprios padrões. Mas acabei entrando em uma bela digressão e é melhor voltar ao ponto principal, que é: liberdade de expressão só existe enquanto você não ofende os ouvidos do mundo com a Palavra da Vida e com a sã doutrina da Fé.
Um último exemplo, com o qual encerro meu caso, é essa nova legislação "anti-homofóbica", que criminaliza toda e qualquer crítica pública ao "estilo de vida homossexual", como se os irmãos afligidos por atração pelo mesmo sexo fossem uma "minoria necessitada de defesa de seus direitos como cidadãos" e qualquer um que dissesse o contrário fosse um criminoso da pior espécie, da mesma laia de quem abusa de menores ou de quem espanca mulheres. Pois não são essa minoria a ser defendida, não. São pessoas que padecem de uma moléstia espiritual gravíssima e necessitam de preces e orientação. Quem quiser me apedrejar, fique a vontade, pois assim fizeram vossos pais aos profetas, que Ele enviou antes de enviar os santos apóstolos e de nos mandar a todos que evangelizemos.
Pois afastar-se do projeto original do Criador é a própria definição de pecado, que por sua vez é a verdadeira moléstia da alma, que adoece ao escolher um bem terreno aparente ao invés do Bem Supremo que é Deus, quando se afasta de Sua Vontade. E o projeto original do Criador para o sexo é que este seja vivido dentro do casamento. No entanto, vá alguém dizer isso sem ser chamado de "medieval", "homofóbico", "preconceituoso", "intolerante" ou coisa que o valha.
Aliás, o conceito de tolerância é outra história que renderia uma postagem inteira. Só deixo aqui o resumo da ópera: ame a pessoa humana do pecador, sim, mas não ame o pecado que ela comete. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Amor ao próximo, sim, "tolerância"/CONDESCENDÊNCIA para com as falhas do próximo, não.
Aqui fica mais um ponto: união civil para estes irmãos, sim. Afinal de contas, o Estado é laico. Mas casamento, NÃO. Casamento é o sacramento do matrimônio, então não tem conversa. Contrato de união civil pode ser celebrado até entre uma alface e uma lapiseira, mas Casamento é entre um homem e uma mulher católicos. Por que não orna querer "casar na igreja" sem ser católico. É o mesmo que querer fazer um Bar-Mitzva sem ser judeu, peregrinar para Meca sem ser muçulmano ou se banhar no Ganges para fins de purificação espiritual sem ser hinduísta.

E com essa última observação eu me retiro e aguardo os garfos de feno, as tochas e os urros da multidão enfurecida.